sexta-feira, 26 de agosto de 2022

ENOTURISMO VALE DO RIO SÃO FRANCISCO

 ENOTURISMO NO SEMIARIDO NORDESTINO


A gente muito escuta falar das  já tradicionais vinícolas do Sul, mas esse Brasil é tão grande, tão complexo, que como diria a tal carta "em se plantando tudo dá";  e em se plantando e irrigando mais ainda...

Até uns 50 anos atrás a região do médio São Francisco, era caracterizada pela sua aridez e como meio de transporte de mercadorias pelo rio... Pensar em plantação, cultura de frutas, era delírio, utopia... hoje até maçã e pêra, estão sendo colhidas...

Sendo assim lá fomos nó conhecer então o oásis nordestino.

Escolhemos um tour de 5 dias oferecido pela MS turismo de Curitiba ( @msviagensturismo ),  agencia especializada em Enoturismo ,  compreendendo as vinícolas Rio Sol,  TerraNova (grupo Miolo) e Bianchetti, além de tours náuticos pelo Rio São Francisco e Lago da Usina de Sobradinho.

Saímos aqui de São Paulo, com um dia frio, chuvoso, e com cara de inverno de verdade...

Chegamos em Petrolina  com um sol daqueles do sertão! nosso primeiro tour era numa fazenda de produção de frutas, um dos primeiros a iniciar o cultivo das frutas no semiárido, o  sr Didi da fazenda Santa Isabel, ( @agropecuaria.santaisabel), chegando lá já fomos recebidos com uma enorme melancia,  e cachos de uvas santa isabel, geladinhos na medida pra matar a nossa sede, o sr Didi uma figura! Nos contou sobre sua história,  e ainda descobrimos que uma irmã dele é quase nossa vizinha kkk,  ela mora aqui em Santo André (heita mundo do tamanho de um ovo de codorna!!!!),  seguimos o passeio em meio a plantação de uvas, onde ele nos contou que pelo clima é possível ter as uvas em todos os estágios produtivos o ano todo, e que uvas!!!! Cachos dignos de fotos instagramaveis,  além de uvas ele planta manga, melão, goiaba e feijão; além de sua propriedade servir como área de estudo pra implementação de novas culturas, aulas pras faculdades de agronomia, e projetos sócios-ambientais.





















Depois desse tour fantástico já começamos a nos apaixonar por esse sertão, que só conhecíamos de programas de TV,  como eu brinquei durante o trajeto, me senti numa mistura de "me leva Brasil, Globo reporte, Globo rural e fantástico" 



Seguimos então pra o primeiro tour náutico: o river beer, ( @riverbeervale ) um catamarã no Rio São Francisco, embarcação de uma cervejaria de Juazeiro, aqui vale um parênteses : Petrolina (PE) e Juazeiro (BA) cada uma num estado são separadas pelo  velho Chico, e apesar de cada uma pertencer à um estado, elas se completam, então tem atrativos que são baianos e atrativos que são pernambucanos,  que faz o passeio ao pôr do sol regado à musica ao vivo e coroado pelo pôr de sol no velho Chico.












Depois desse espetáculo da natureza, nos restava aproveitar o clima e como era uma bela sexta-feira - hora do happyhour! Bóra tomar cerveja artesanal baiana, comer quitutes e acarajé,  na Cervejaria Nordhaus (@cervejarianordhaus)





Nosso segundo dia, o passeio foi na vinícola Rio Sol do grupo português Global Wines,  com o catamarã pelo rio São Francisco, com direito a parada numa ilhota e banho de rio,  simmmm!!!!! pus meus pezinhos no velho Chico e bebi da água, afinal como dizem:  quem bebe da água do São Francisco sempre volta, e eu quero voltar rsrsrsr.
Na vinícola, pudemos conhecer um pouco da história de como ela surgiu, ali no sertão, a importância de rio pro local, o carinho com que as uvas são cultivadas, as castas ali cultivadas, e porquê.  O forte deles são os espumantes, servidos inclusive sem pressa ou quantidade durante o passeio pelo rio,  mas já tem vinhos tintos premiados com o Tempranillo safras 2019 e 2020.  Seguimos então pro passeio de catamarã, depois tour pelo parreiral, almoço típico sertanejo e claro compras de vinhos!!!!


















A noite, fomos no Bobódromo, local de comidas típicas regionais e que como  o próprio nome diz, o prato principal é a carne de bode de tudo que é jeito. Local bem típico e frequentado muito mais pelo locais do que pelo turista.  Adoramos. Pedimos linguiça de bode,  carne do bode picadinha tipo iscas, uma boa cervejinha gelada pra acompanhar... 








Terceiro dia, dessa vez além da vinícola Casa Nova,  do grupo Miolo,  fomo no lago da represa da usina de Sobradinho,  mais um passeio de barco, dessa vez um vapor, inspirados nos antigos vapores que cruzavam o rio levando mercadorias e pessoas rio acima, rio abaixo.




















    Quarto dia, tour por Petrolina e Juazeiro, conhecer um pouco da história das duas cidades,  a união delas pelo rio,  apesar de uma ser no estado da Bahia  (Juazeiro) e a outra em Pernambuco (Petrolina).
Fizemos aquele tour clássico, pontos pra fotos, atrativos culturais, centros de artesanato... E também visita numa vinícola pequena de produção orgânica,  a Bianchietti. Nosso guia o Raphael da agência parceira Raphatour,  foi maravilhoso, nos contando as histórias das duas cidades...
E por fim no quinto e último dia, retorno à terras paulistas rsrsrsrs.



















Considerações finais:
Sim nosso sertão é maravilhoso, o sertanejo é realmente antes de tudo um forte!
As duas cidades me surpreenderam, pois a imagem de paulista que eu tinha, era  meio preconceituosa, afinal o que nos é mostrado em nada, absolutamente nada representa o quanto o nordeste está avançado.  Paguei minha língua, como se diz.  Cidades com um urbanismo digno dos livros das aulas da faculdade, asfalto melhor , sim mil vezes melhor que das melhores vias aqui de São Paulo. Não vi mendigos,  não escutei cuidado  com brincos e correntinhas na orla... vi casinhas simples, sim, casinhas de pau a pique,  de tijolo  a vista, simmm tudo isso, mas não vi miséria no olhar das pessoas, eram pessoas simples pobres de dinheiro, mas milionários de saberes e viveres;   quem trabalha com a terra,  ama a  sua terra,  tem orgulho "arretado" de ser nordestino; orgulho esse que está faltando aqui no sudeste.
Quanto às vinícolas, lógico que não se pode menos ainda se deve comparar com  as do Sul, são terroirs totalmente opostos, e exatamente isso, seu terroir característico que lhe dá essa cara, esse jeito.  Sim eles tem muito ainda a aprender e aprimorar no explicar, no servir, no apresentar  a degustação, mas são novos, estão aprendendo... Lógico que nos soa estranho a liberdade do entrar no meio da plantação e "pegar" quantas uvas se quiser experimentar, mas essa liberdade, essa inocência,  faz tão bem... Claro que falta o  "requinte" de uma degustação harmonizada,  o servir numa taça de vidro ou cristal... O harmonizar a refeição com os vinhos ali servidos... Mas também essa despretensão, essa despreocupação, torne o vinho menos esnobe e mais real!
E  só de entrar nas águas do velho Chico, sentir a sua força e garra nos acalanta e nos acaricia.. e ao mesmo tempo nos fortalece! Viva o sertão!!!!!


                                                             Pôr do Sol no velho Chico